Há momentos em que sentimos que nem depois de uma vida inteira ou de anos de certezas e incertezas, de decisões, nos conhecemos realmente.
Há dias em que me desconheço e me incerto... em que me surpreendo e dou por mim a sentir sem mim. Ou com 'mim'... se calhar é mesmo esse o problema, negar estar em mim e apenas comigo. Aprendi desde muito cedo a fingir e a ver tudo pelo melhor lado, é isso que ensinam às crianças nas escolas, desde que aprendemos o primeiro 'ai'. E há quem seja criança a vida toda.
Mas há coisas que não se aprendem. Há coisas das quais gostar não chega e aprender não é suficiente... é preciso criar. Inventar. Ser diferente. E apaixonei-me por um mundo onde somos obrigados a isso mesmo para sermos algum dia 'bons' o suficiente... Há quem ache que isso é uma barreira invisível. Tal como a felicidade... nunca seremos bons o suficiente, nunca seremos felizes o suficiente... Queremos sempre mais do que somos e do que é possível. A vida é feita de momentos felizes, bons ou maus... mas a felicidade é vista como uma meta e não um estado... acho que é por isso que existem pessoas infelizes.
Acho que é cedo para desistir.
Se gosto e tenho aprendido, então devo continuar. Não me identifico em mais lado nenhum, em mais nenhuma área. De alguma forma pertenço ao que optei e faço parte disso e já não me imagino noutro lado...
Ainda tenho tempo para mais tarde optar por algo mais e mudar o que quero "aprender" e aprender o que é "aprendível" caso não seja de facto boa o "suficiente" no que tenho simplesmente de saber, sem que alguém me ensine... Se não for boa o suficiente para satisfazer essa sede da sociedade de se criar algo novo e diferente que fará todos os olhos, até os mais exigentes, contemplarem, como só se contempla unicamente sendo pela primeira vez.
Por enquanto contemplo-me sozinha.
Chega? ...Talvez.
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