É engraçado como já não choro. Nem sequer choro. Há um... um desprezo dentro de mim, porque nada disto é novo, nada disto me desilude e me tira o chão, não literalmente. Fiquei imune a esse tipo de sensações, e chorar não resolve nada, aliás nem tem de resolver. Por isso, se não tiver necessidade de chorar melhor. Continuo a ter medo, continuo a sentir um frio mas é um frio do desprezo que dou a estas conversas sem nexo e sentido que um dia me levarão a loucura. Aliás, só os loucos é que não choram. Eu já não choro, não sei bem porquê, neste momento choro quando estou cansada ou nervosa com o trabalho. Nunca choro porque estou triste. Choro quando menos espero, choro quando estou feliz, quando estou ansiosa, quando estou infinitamente alegre e bem disposta. Quando algo de triste me acontece, quando discuto, quando tomo consciência das decisões erradas que tomei, quando me magoam, tudo isso, tornou-se tão banal e constante na minha vida que não me faz chorar, porque estou mais forte. Obrigada fantasmas, pelo menos para isso serviram. Obrigada psicoterapia, sei dialogar comigo sem o desespero do choro e do sentimental. Sei colocar os pontos nos i's pelo menos dentro de mim. Fartei-me de chorar só porque não sabia o que fazer. Agora continuo sem saber o que fazer, mas choro menos. Doi-me menos a cabeça! Não desespero, e confesso que às vezes quase que não sinto medo. Deve ser por isso que ele se irrita tanto, pareço forte. Porque ele não vai ser capaz, nunca foi. Porque ele não chegaria a esse ponto, nunca chegou. E no dia em que chegar, porque sei que comigo ou com outra vai chegar, eu sei que sempre o soube, que tomei todas as decisões consciente da pessoa que escolhi, da pessoa que coloquei debaixo do mesmo teto que eu, da pessoa que quem sabe um dia até aceitarei casar e ter filhos, da pessoa que definitivamente mais do que hoje me pode vir fazer sofrer muito.... não sei se sem lágrimas, não sei sequer se faz algum sentido o que escrevo, mas sei que enquanto eu não pegar na chave e sair da jaula, estarei condenada às minhas decisões. É literalmente estar preso com a chave na mão. Então não choro claro, espero. Porque sei que tenho culpa, sei que tudo continuará assim porque tenho culpa, tenho medo, continuo cobarde e impávida à espera de um milagre, consciente dessa minha incapacidade... Não burra ou anormal como ele diz, continuo medrosa sim, continuo insegura e continuo a não deixar os outros acabarem de falar quando me acusam ao mesmo tempo, quando estou numa discussão que não quero ter. Sim continuo a usar humor negro e um tom cínico quando a pessoa insiste e insiste obrigando-me a ajoelhar e concordar com ela porque simplesmente duas pessoas não podem ter duas opiniões diferentes. Eu aprendi que o mundo não pode todo concordar comigo, gosto de expor a minha opinião e há assuntos que me revoltam, mas aprendi, que por mais argumentos que dê, há pessoas que nunca vão concordar, não para me chatear, mas porque são o que são. E sem dúvida que esse é um dos piores problemas da sociedade hoje em dia, e de sempre! Há sempre algumas pessoas que acham que só há uma forma correcta de se viver, de se estar, e quem não concorda com isso claramente só pode ser burro ou anormal, e mesmo sabendo que o outro coitado é burro ou anormal eu vou continuar a gritar aos ouvidos dele a ver se aprende.
Estará nos genes do ser humano? é que é cada vez mais comum este síndrome. E estou farta, fartinha de aturar o mundo, de te aturar, de dia sim dia não, dia sim dia sim, ter de ver lançar o chicote a ver se finalmente alguém no mundo te dá razão... não querido, eu não sou tua mãe nem sou burra... posso ser parva por continuar num titanic que sei que vai ter o fim do titanic, posso ser parva por acreditar que ainda não cresces te e isso muda tudo quando crescemos, posso ser ainda mais parva por acreditar que dentro de ti há um ser humano bom, que se arrepende de muito do que diz e faz... mas burra não sou. E já estive muito mais longe de tomar a decisão que nenhum de nós soube tomar... porque quem está na jaula de chave na mão sou eu... tu és o gorila preso no outro lado da jaula. No dia em que eu realmente perceber e quiser... Eu serei feliz. Seja lá o que isso for...
sexta-feira, 8 de julho de 2016
domingo, 20 de março de 2016
Hoje finalmente consigo dizer: perdi-o. Não, eu não perdi-te, nunca foste o tu nem nunca foste meu. És sim o homem, a pessoa, o tal das histórias de contos de fada e a que dizem estarmos destinados. Hoje perdi-o porque mo roubaram, sim ele roubou-o de mim e hoje quando olhei para a sua expressão percebi o quão de si há na sua expressão, o quão o seu presente e futuro nunca o conseguirão deixar por um dia... Sim hoje perdi-o porque sei que vai ser finalmente feliz, porque o seu filho vai nascer e o levará para sempre com ele... Hoje consigo escrever porque tenho a certeza que serás feliz neste destino sem mudança de rumo, neste acaso tão certo de ti, tão certo de vocês, sem mim... Eu... Eu simplesmente fico feliz por estares feliz, por teres descoberto o maior e único eterno amor que esta vida tem: o amor de um pai por um filho, a verdadeira familia... Não o desperdices um só segundo!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Estou desde sexta-feira a trabalhar dia e noite em Sesimbra, sem saber ao certo o que vou receber de volta. Trabalho das 14h-18h, depois das 18h-22h, depois janto e vou trabalhar até as 6h da manhã, a vender as fotografias feitas durante o dia num baile de carnaval.
Enquanto trabalho, as pessoas da minha idade vão sair para onde eu trabalho. Também se deitam tarde, também dormem pouco e também não podem acordar muito tarde. São 5 da manhã e penso: estou exausta, vou parar, vou para casa dormir, estou há 17 horas exaustivas a trabalhar sem parar. Acham que alguma daquelas alminhas quis vir para casa às 5h30 da manhã? Ao contrario de mim, elas devem ter estado quase tantas horas a beber quanto eu a trabalhar, e já estão quase sóbrias, mesmo assim, E MESMO ASSIM, vão ficar a dançar onde já só os bêbados estão. Nunca fiz isto, já estive podre de bêbeda, já me diverti muitas noites, mas quando acaba, acaba não? e só pensamos numa cama para dormir! Mas para esta geração nada chega! dentro de poucas horas todos teremos de estar a pé, e amanhã é outra noite para repetir, e depois outra e outra... COMO NENHUMA DAQUELAS ALMAS PENSA NISSO? uma delas tem 28 anos! Waiiiiittt... aos 28 anos quero estar casada e com filhos, não?? essa alminha esteve o dia todo a trabalhar e amanhã vai trabalhar novamente, será isto um vicio?? o que se passa com esta geração?? Pais o que andam a ensinar aos vossos filhos? Outra delas tem 24, já comeu meio mundo em discotecas, já teve relacionamentos sérios, e agora precisa disto para quê?? waiiiiittt what?? Estou assim tão errada?! Já tive a minha fase de discotecas e adrenalinas, já a testei, já descobri onde eram os limites e fiquei feliz, agora já chega, passa a frente e cresce! será assim tão anormal?? Será assim tão anormal não querer ir embebedar-me e ser apalpada no cú para uma discoteca? A minha auto-estima sempre foi baixa e continuo a não precisar de ir a uma discoteca para achar que a subo. HÁ LIMITES, não? Não.... e cada vez mais parece que o certo é que é o errado, parece que estou sempre sozinha no certo, no que seria suposto ser ''normal''. Se digo às minhas amigas que prefiro ir beber um copo ou um café a um bar, é porque estou a ser "velha"... E eu a pensar que a adrenalina do novo estava nos 14 ou 16 anos... Xiça, parece que o mundo inteiro decidiu parar de crescer e julgar aquilo que está certo, porque ''não é fixe''.
Enquanto trabalho, as pessoas da minha idade vão sair para onde eu trabalho. Também se deitam tarde, também dormem pouco e também não podem acordar muito tarde. São 5 da manhã e penso: estou exausta, vou parar, vou para casa dormir, estou há 17 horas exaustivas a trabalhar sem parar. Acham que alguma daquelas alminhas quis vir para casa às 5h30 da manhã? Ao contrario de mim, elas devem ter estado quase tantas horas a beber quanto eu a trabalhar, e já estão quase sóbrias, mesmo assim, E MESMO ASSIM, vão ficar a dançar onde já só os bêbados estão. Nunca fiz isto, já estive podre de bêbeda, já me diverti muitas noites, mas quando acaba, acaba não? e só pensamos numa cama para dormir! Mas para esta geração nada chega! dentro de poucas horas todos teremos de estar a pé, e amanhã é outra noite para repetir, e depois outra e outra... COMO NENHUMA DAQUELAS ALMAS PENSA NISSO? uma delas tem 28 anos! Waiiiiittt... aos 28 anos quero estar casada e com filhos, não?? essa alminha esteve o dia todo a trabalhar e amanhã vai trabalhar novamente, será isto um vicio?? o que se passa com esta geração?? Pais o que andam a ensinar aos vossos filhos? Outra delas tem 24, já comeu meio mundo em discotecas, já teve relacionamentos sérios, e agora precisa disto para quê?? waiiiiittt what?? Estou assim tão errada?! Já tive a minha fase de discotecas e adrenalinas, já a testei, já descobri onde eram os limites e fiquei feliz, agora já chega, passa a frente e cresce! será assim tão anormal?? Será assim tão anormal não querer ir embebedar-me e ser apalpada no cú para uma discoteca? A minha auto-estima sempre foi baixa e continuo a não precisar de ir a uma discoteca para achar que a subo. HÁ LIMITES, não? Não.... e cada vez mais parece que o certo é que é o errado, parece que estou sempre sozinha no certo, no que seria suposto ser ''normal''. Se digo às minhas amigas que prefiro ir beber um copo ou um café a um bar, é porque estou a ser "velha"... E eu a pensar que a adrenalina do novo estava nos 14 ou 16 anos... Xiça, parece que o mundo inteiro decidiu parar de crescer e julgar aquilo que está certo, porque ''não é fixe''.
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