sexta-feira, 8 de julho de 2016

É engraçado como já não choro. Nem sequer choro. Há um... um desprezo dentro de mim, porque nada disto é novo, nada disto me desilude e me tira o chão, não literalmente. Fiquei imune a esse tipo de sensações, e chorar não resolve nada, aliás nem tem de resolver. Por isso, se não tiver necessidade de chorar melhor. Continuo a ter medo, continuo a sentir um frio mas é um frio do desprezo que dou a estas conversas sem nexo e sentido que um dia me levarão a loucura. Aliás, só os loucos é que não choram. Eu já não choro, não sei bem porquê, neste momento choro quando estou cansada ou nervosa com o trabalho. Nunca choro porque estou triste. Choro quando menos espero, choro quando estou feliz, quando estou ansiosa, quando estou infinitamente alegre e bem disposta. Quando algo de triste me acontece, quando discuto, quando tomo consciência das decisões erradas que tomei, quando me magoam, tudo isso, tornou-se tão banal e constante na minha vida que não me faz chorar, porque estou mais forte. Obrigada fantasmas, pelo menos para isso serviram. Obrigada psicoterapia, sei dialogar comigo sem o desespero do choro e do sentimental. Sei colocar os pontos nos i's pelo menos dentro de mim.  Fartei-me de chorar só porque não sabia o que fazer. Agora continuo sem saber o que fazer, mas choro menos. Doi-me menos a cabeça! Não desespero, e confesso que às vezes quase que não sinto medo. Deve ser por isso que ele se irrita tanto, pareço forte. Porque ele não vai ser capaz, nunca foi. Porque ele não chegaria a esse ponto, nunca chegou. E no dia em que chegar, porque sei que comigo ou com outra vai chegar, eu sei que sempre o soube, que tomei todas as decisões consciente da pessoa que escolhi, da pessoa que coloquei debaixo do mesmo teto que eu, da pessoa que quem sabe um dia até aceitarei casar e ter filhos, da pessoa que definitivamente mais do que hoje me pode vir fazer sofrer muito.... não sei se sem lágrimas, não sei sequer se faz algum sentido o que escrevo, mas sei que enquanto eu não pegar na chave e sair da jaula, estarei condenada às minhas decisões. É literalmente estar preso com a chave na mão. Então não choro claro, espero. Porque sei que tenho culpa, sei que tudo continuará assim porque tenho culpa, tenho medo, continuo cobarde e impávida à espera de um milagre, consciente dessa minha incapacidade... Não burra ou anormal como ele diz, continuo medrosa sim, continuo insegura e continuo a não deixar os outros acabarem de falar quando me acusam ao mesmo tempo, quando estou numa discussão que não quero ter. Sim continuo a usar humor negro e um tom cínico quando a pessoa insiste e insiste obrigando-me a ajoelhar e concordar com ela porque simplesmente duas pessoas não podem ter duas opiniões diferentes. Eu aprendi que o mundo não pode todo concordar comigo, gosto de expor a minha opinião e há assuntos que me revoltam, mas aprendi, que por mais argumentos que dê, há pessoas que nunca vão concordar, não para me chatear, mas porque são o que são. E sem dúvida que esse é um dos piores problemas da sociedade hoje em dia, e de sempre! Há sempre algumas pessoas que acham que só há uma forma correcta de se viver, de se estar, e quem não concorda com isso claramente só pode ser burro ou anormal, e mesmo sabendo que o outro coitado é burro ou anormal eu vou continuar a gritar aos ouvidos dele a ver se aprende.
Estará nos genes do ser humano? é que é cada vez mais comum este síndrome. E estou farta, fartinha de aturar o mundo, de te aturar, de dia sim dia não, dia sim dia sim, ter de ver lançar o chicote a ver se finalmente alguém no mundo te dá razão... não querido, eu não sou tua mãe nem sou burra... posso ser parva por continuar num titanic que sei que vai ter o fim do titanic, posso ser parva por acreditar que ainda não cresces te e isso muda tudo quando crescemos, posso ser ainda mais parva por acreditar que dentro de ti há um ser humano bom, que se arrepende de muito do que diz e faz... mas burra não sou. E já estive muito mais longe de tomar a decisão que nenhum de nós soube tomar... porque quem está na jaula de chave na mão sou eu... tu és o gorila preso no outro lado da jaula. No dia em que eu realmente perceber e quiser... Eu serei feliz. Seja lá o que isso for...