quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Estática
Aquele momento em que percebemos que já não temos como fugir e vamos finalmente subir ao palco,, enfrentar o público, a derradeira decisão está tomada, o momento chegou!... aquele momento em que as pernas, as mãos, a cabeça tudo treme, o chão roda por baixo de nós e já não há como voltar a trás, temos de saltar e pronto! e sobe um pé, o outro, as escadas até ao fim e quando vamos pisar aquele soalho à beira do precipício fatal... aquele instante em que decidimos ter a coragem e agarrar a oportunidade tão única porque finalmente ganhámos consciência e o desejo e sentimento falaram mais alto, está na altura de perder o medo!... e nesse mesmo instante... tudo desaparece. puff... de repente nem uma fala, uma nota, apenas um silêncio isolador surge, parece que o palco, as pessoas, a coragem, a oportunidade tudo desapareceu... estou naquele pânico de quem já tinha tudo para dar o primeiro passo e não... a perna está suspensa, o trapézio deixou de andar de um lado para outro e o tempo parou... estou só ali pendurada no alto, parada a olhar nem sei bem para onde como se o mundo tivesse parado apenas dentro de mim... suspensa no tempo, presa em mim mesma eternamente e condenada a sim... a ter de desistir!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Uma falta de mãe imensa
Nunca é demais, as palavras de valor nunca são demais, mas quando escassas podem condenar um remorso, uma sensação de falta com essa pessoa mas acima de tudo ou abaixo... com nós próprios. Sim, porque falho acima de tudo comigo própria, com aquilo que realmente sou e acima de tudo sinto! está tão lá ao fundo mas sinto, está tão escondido mas eu ainda o sonho... apenas habituei toda a gente a ver-me de máscara como se ela fosse realmente a face e agora que tento tirá-la... parece que não dá, não condiz, todas as máscaras integraram-se em mim e parece que sem cada uma delas nada faz sentido! e não faz... porque continuo a querer prever tudo, a controlar tudo e a ter todas as certezas do mundo em cada passo que tento dar!... deve haver um bom motivo para tanto medo, algo que justifique esta falta de transparência, esta falta de acordo entre mim e o eu... mas nem nisso devia eu pensar.
sábado, 3 de novembro de 2012
Trapézio
Sustenta a cabeça, a vida e sustenta-me a mim. E baloiço... para trás e para a frente... para frente e para trás... umas vezes mais depressa, outras mais devagar... umas vezes sem olhar para baixo e outras a medir cada milímetro da queda... e la vou eu para frente e para trás, sempre com o mesmo balanço, a mesma insegurança, a mesma desconfiança! as mesmas questões, a mesma necessidade não de ter uma rede lá em baixo para o caso de cair mas para me agarrar naquele preciso momento! bolas... em poucos segundos todos os dias destruo o mundo e as pessoas à minha volta, todos os dias faço cada uma delas sair do circo porque já não acreditam que o artista vá saltar... é um mero palhaço!... dia após dia... balançando-me para trás e para frente... sem coragem de saltar para lado nenhum, porque não há de facto nenhum lado para saltar... para trás e para a frente... até os braços não aguentarem mais...
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Uma forma
Eu não quero perder. E não quero desistir... ou será que quero?
É tão sufocante...
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