
Era uma vez um círculo. Um círculo é uma forma geométrica preenchida, um espaço geométrico. Havia 4 pontos imaginários, inter-unidos nesse mesmo círculo completo e perfeito, preenchido... Mas, aos poucos, este foi-se esvaziando, esvaziando... o seu espaço começou a saltar para fora do círculo, até este se tornar numa circunferência... Aí, os pontos começaram a crescer, a ocupar o espaço vazio e a ultrapassar a sua linha... e sem se aperceberem tornaram-se em vértices. 4 vértices que formavam um quadrado. 4 vértices que formavam uma só forma, que dependem uns dos outros para serem um só, um só vazio, que eram...
Até que um dia, um dos vértices opta por sair dessa forma. Salta para fora e os 3 restantes ficam a formar um género de triângulo aberto, não fechado ou unido... um género de recta que contém 3 pontos: um no início, outro no meio e outro no fim, sendo esse do meio o que une e separa ao mesmo tempo os outros dois, sem nenhum deles se aperceber que já nada formam juntos, que a recta é infinita porque a fazem infinita, e que resta a todos apenas uma única opção - serem simplesmente aquilo que são: meros pontos, grandes ou pequenos mas que não dependem de outros para estarem completos ou para fazerem parte de um todo como já fizeram... Há que primeiro ser-se ponto e só depois formar um lado com alguém e depois uma forma, etc... O que vai acontecer a estes 3 pontos? não sei... sei apenas que o ponto que eu represento vai saltar desse pseudo-triângulo-linha e vai de vez definir-se sozinho, com tudo aquilo que vale, sem que mais ninguém dependa dele para tentar tornar algo completo. Sem que sinta mais a culpa de isso não acontecer...
"A família é como um arquipélago... todos fazem parte dum, mas cada um em separado e sozinho, e sempre a afastarem-se cada vais mais uns dos outros..."
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