sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Hugs, 2011


O dia 1 de Janeiro de 2011 não foi o primeiro dia de algo, mas uma continuação de toda uma descida inclinada vinda de 2010 com uma direcção única… ao fundo de um poço onde por cada passo para cima, recuava dois... Isto em contas matemáticas origina que em vez de treparmos a parede do poço, estamos a cavá-lo ainda mais fundo… e infindavelmente. E vamos perdendo forças… Ora, se perdemos forças para enfrentar a nossa própria realidade, os nossos amigos, a nossa rotina, a nossa família, o nosso próprio eu, então…

Apercebi-me que continuar a criar forçadamente uma nova Inês que não resultava. Encaixotar todos os problemas e guardá-los numa caixa no topo do armário muito menos! Esconder-me no meu quarto às escuras, na comida, na escola, nos personagens de teatro, ou deitada na cama durante horas a afirmar que a cabeça doía e pesava também não… A que ponto tinha eu chegado?! Há 5 anos que uso os mesmos métodos e nunca nada realmente mudou ou resultou! Continuo a acrescentar medos, desilusões, desconfianças e cada vez mais deixo de acreditar em mim, quanto mais nos outros! Deixei de tolerar os meus próprios amigos, não tenho objectivos e deixei definitivamente de sonhar. Dormia de dia para deixar de me sentir viva e ficava acordada de noite para não ter de sonhar. Medo e mais medo, medo e mais e mais medo! AHH! E como me doía a cabeça, o estômago, a pele, os olhos vejo coisas nos olhos! Corri todos os médicos que pude para explicar tais alterações de saúde, apanhei valentes sustos e suspeitas que me mataram de receio, mas tudo levou-me à mesma resposta... Já não tinha como fugir… a minha saúde mental esgotou-se e o meu corpo esgotava-se aos poucos com ela… 2 hipóteses: enfio-me em drogas ou peço ajuda… Eu cheguei mesmo a comprar as drogas, mas cheguei primeiro àquele consultório, à pessoa que até hoje está lá comigo todas as quintas-feiras às 19h30. É muito mais fácil ingerir químicos que nos fazem sentir felizes (por curto tempo) do que enfrentar cada problema um a um e principalmente enfrentar-nos as nós próprios. Enfrentar aquilo que é e aceitar aquilo que foi. Sim, ainda chegou a ser preciso comprar algumas bengalas que passaram a fazer parte da minha vida de manhã e à noite até hoje e foi assim que considero que começou uma nova fase, um novo ano, uma Inês a levantar-se e a evoluir de dia para dia…

À minha evolução acompanharam-me novas experiências e sentimentos bons e outros sem dúvida maus e que considerava impossíveis… Uma viagem à Turquia, viagens ao Algarve, e viagens ao meu passado mais profundo, uma viagem a 488 kms daqui, quase na vizinha Espanha, arriscando tudo, sem pensar em nada e da qual não me arrependo. Aprendi aos poucos a olhar para mim mesma e a surpreender-me comigo própria. As etiquetas que diziam “impossível” começaram a acabar. Aliás, começaram a acabar as etiquetas em si. Afinal um vestido cor-de-rosa choque pode ser bonito em mim! Afinal usar um blazer ou uns sapatos de salto alto, podem tornar o meu eu mais completo... Afinal até sou uma pessoa com humor, que até sabe fazer umas coisas, que até pode ser atraente… Ganhar um concurso de escrita, ou o de fotografia foram dos meus maiores orgulhos este ano. Ter conseguido finalmente entrar para a Academia que decidirá o meu futuro e com a qual tanto sonhei, também. Afinal até vale pena e não é um assunto que durou 3 anos de desgaste emocional que decide que chegou o fim e que não restam mais forças para lutar por nada, nem sequer por mim…

Sim, continua a deixar-me zangada, magoada e confusa. Sim eu ainda choro, e ainda bem que choro!… Crescer é difícil, é mesmo. E às vezes é preciso ser da pior maneira, para realmente aprendermos a lição... (Mas existe pior ou melhor maneira de se crescer?)

Nem se tratou de perceber que eu tinha valor ou que ele não me estava a ser dado, tratou-se de não ter experiência e maturidade suficientes para lidar com a situação, para perceber quando estamos iludidos, quando nos enganamos ou quando nos enganam ou mentem ou dizem verdades mentidas que fogem à realidade das coisas! Eu não percebi porque não tinha como perceber, até ao dia. Não me serve de nada o arrependimento, vou sempre carregar o maior peso desta história, mas também serei a única a conseguir um dia largá-lo de todo. Não fui eu quem errou com outra pessoa e fingiu até hoje que isso aconteceu... Falhei a mim própria, faltei-me a mim, ao que sinto, ao que sou e estou a aprender a perdoar-me… é uma questão de tempo... Foi um fardo que carreguei sozinha até hoje e que não quero carregar nunca mais. E que aja sempre a tempo de pregar o estalo na cara e não vir a carregar remorso nenhum, nem uma palavra por dizer, nem uma silaba por gritar. O tempo não é nenhum traidor como lhe designei, esta é a maior das lições que tiro deste ano. A vida é feita de oportunidades que se repetem se tiverem de se repetir, se as fizermos acontecer. Se não as quero perder, pois que diga tudo nos momentos em que quiser dizer, e faça tudo o que achar no momento que deve ser feito, que pare de vez de ter medo, que me ponha à frente da questão e que oiça aquele que mais sofre sempre…

Talvez um dia perdoe... Começando por perdoar a mim mesma, por a parva que fui tanto tempo em tanta coisa e pela ingenuidade que no fundo faz parte desta vida, dos erros que nos fazem aprender e avançar quando os aceitamos simplesmente. Sim... A resposta que tanto procurei este ano é: Aceitar. É a solução tão difícil de alcançar e necessária em vários problemas que alteram e fazem da minha vida aquilo que é, numa parte bem mais importante do que quero acreditar… Foram meses de progresso, nem lento nem rápido, correram e andaram comigo à minha velocidade… Passaram comigo boas e más fases, e vão acompanhar-me o resto da vida. É por isto que lhe chamam de evolução, certo?

Um dia vou aceitar... E nesse dia, terei seguido realmente em frente. Até lá… continua o trabalho, aproveita, vive acima de tudo, experimenta… Começa de novo, quando tiveres de começar. Obrigada a todos que fizeram parte deste progresso, do que sou e que levo comigo numa parte bem mais pesada e bem mais importante que todos os fardos que ainda carrego e que hei-de carregar… Mais importante do que acreditar, é agir… continuar a procura, a luta, a determinação em cada um dos objectivos em que tropeçarmos nesta vida e agarrá-los com toda a força que tivermos sem nunca desistirmos deles…

Em contagem decrescente sim…

Bem… pula-me essa cerca!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Coisas

A partir do momento em que a coisa que pertence ao Eu é partilhada com o Tu, ela passa a ser do Nós. Mesmo que depois o Tu desapareça do mapa, ela nunca mais volta a ser unicamente minha.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Selvagem


Custa-me a ideia de te ver a libertar, e deixar-te viver esse instinto tão selvagem que retens dentro de ti... Custa-me a ideia de te poder perder, de te ver doente, ou algo pior... Tudo à volta desse teu desejo é um perigo que não consigo aceitar e permitir que aconteça e me rale todos os dias, a toda a hora... Aquela ânsia de te ver regressar a casa, ao teu ninho, que tanto demorei a arranjar... É um amor diferente de qualquer outro da vida, mas que não deixa de ser esse mesmo, o amor. O colo que nos aconchega o coração e o aperta quando é ameaçado. Prendo-te no meu colo então, com força, até que desista de te prender só a mim e te deixe ser aquilo que sempre foste suposto ser, de ninguém, Selvagem e dona de ti mesma, do teu destino.

sábado, 10 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

De pés


Não, já não estou daquele lado do muro. Não estou do outro ainda, também... Estou digamos que sentada em cima dele, com as costas viradas para trás claro e receosa de saltar. Sim de vez em quando ainda olho para trás mas volto-me logo para a frente para me equilibrar...

É preciso saltar, atirar-me de pés, nem sequer é de cabeça!

Eu sei que sou capaz.

Mas, por algum motivo, estou à espera que ele se sente também ao meu lado... me dê a mão e saltemos juntos, ou só ele comigo, tanto faz.
Ou que simplesmente olhe, repare e deixe de acreditar que o muro existe sequer e decida enfrentar de vez sim, o próprio presente! Aquele onde me embrulhaste uma vez, e de onde nunca mais me desatei totalmente... sozinha.

11-11-11

Ao fundo as luzes da cidade cintilam desfocadas... Como estrelas que cintilam e brilham a anos luz daqui.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Odeio odiar

Há sentimentos que simplesmente detestamos e odiamos, como esse próprio odiar.
Ódio, raiva, nem falo de tristeza... o que odeio mesmo é o sentir que odeio, e é algo como se não pudesse evitar. Nunca o tinha sentido por ninguém, porque eu não sou assim e continuo a não ser. Mas como ele diz, "as coisas não são assim, estão assim" e eu simplesmente não te "estava" a odiar, ou não estava a odiar ninguém, até a minha cabeça rebentar tanto de razões e motivos que se envolveu até demasiado nesse sentimento que há tanto andava a contornar!... ou a achar que o contornava. Dei por mim a odiar tudo! Mas... Odeio mesmo é o próprio sentimento, bem mais do que odeio a ti. E Destrói-me...
Às vezes penso mesmo que, nem odiar eu sei realmente fazer... como se não fosse um sentimento, mas sim uma acção... que realizamos bem ou mal... Que ridículo! Até quando vou ter de senti-lo?

Eu não sou assim, então porque estou assim?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

That day

I know what you think, I know what you say or even what you do... But I don't know you, not at all.

But... Who knows, maybe in that day i'll be there for you... not waiting, just there. Maybe, just maybe. I guess...
It's just a feeling, like has always been. It feels like, but we never know for certain if it is...

You make me feel alive...


RSB

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Se começamos a acreditar que é, é certo que se torna.

Tudo o que nos mexe psicologicamente, se vem a reflectir no corpo, na saúde, no que criamos ou fazemos, em tudo... Não há como escapar. Mesmo que tentemos não dar importância ao que sentimos, isso de alguma forma nos causa transtornos com os quais nos vamos preocupar e incomodar. O problema sempre esteve e estará em mim... é isso que tem desequilibrado tudo...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Since 2008


Lida por ninguém, alguém talvez pontualmente, mas principalmente por mim. Sempre foi assim, sempre assim será... seja de que forma escrever, seja o que escrever, seja para quem escrever, será sempre feito por mim para mim.
Sou eu que me dou ao trabalho de me ler todos os dias, este "blog" que já foi outro, sou eu que me escrevo todos os dias... apenas porque sim.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Obrigada


"Normal e simétrica repartição dos índices densitométricos obtidos nos diferentes parênquimas intra-cranianos, não se salientando alterações morfo/TDM de inequívoco significado patológico"

É bom, embora mau, mas pelo menos não é o pior.

Finalmente eliminou-se a mais certa e pior das hipóteses... agora é tratar o verdadeiro bicho, que não é pêra doce... não é não. Mas é controlável... tem dias.
Agradecida, sei la eu a quem...

sábado, 26 de novembro de 2011

Insuficiente

Quando sentes garantido de que vai correr bem, é meio caminho andado para ir correr mal.

Somos tão pequenos e insignificantes, que era preciso ganharmos duas vezes o euromilhões para ficarmos visíveis ao mundo! Pelo menos eu.
E o que realmente importa sermos visíveis aos outros? Vou começar a tirar um novo curso chamado: "Como viver sem o mundo" e talvez receba um prémio dado por mim própria e me sinta feliz, no meu mundo, no meu momento, só EU! aí nunca seria pequena, insignificante, porque não haveria mundo e não sentiria falta dele! Ai... como gostava... ai como gostava que fosse mesmo assim. Alguém inesquecível, insubstituível, Suficiente... que fosse capaz, ou simplesmente aquela. E acima de tudo que não dependesse do mundo, ou pelo menos de ti... 2ª pessoa.
Ando a falar demasiado de ti.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Não?

Sim.
Talvez eu pense em coisas que só devia pensar daqui a 15 anos. Mas essas coisas que penso agora, devem-se ao que outros 15 anos me fizeram sentir e pensar e crescer demais. Agora soam como certas e objectivas, porque já estive no lugar do filho e já o entendi. Daqui a 15 anos a mãe lá saberá o que fazer, depois de 30 anos sabendo o que o filho sente, continuando a sentir dentro dela. Senão, não serviu mesmo para nada ter sentido! Não?
Fala aquela que se esquece que sente.
Porque sim, talvez eu não goste mesmo daquela pessoa e dói só o facto de saber que não gosto de uma pessoa que toda a vida me disseram que eu devia gostar e que inclusivé, eu já gostei! E aceitar e compreendê-la pode de todo não ser suficiente. Há coisas que simplesmente não conseguimos perdoar! Porque não aceito, sim, que dói não gostar dela e ponto final? em vez de só aceitar que não gosto. O que dói, nunca dói para sempre. Há uma altura em que simplesmente deixa de doer , não porque perde importância o facto, o que aconteceu, mas sim essa dor. Deixa doer então!

Não?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Bicho

E por algum motivo, sem qualquer justificação, me lembrei dele, de como olhava e sentia, naquele momento, naquele preciso momento, em que os meus próprios olhos se fechavam para pelo menos eles não sentirem... Naquele momento, metida naquela caixa das verdades, em que aquelas ondas carregadas de radiação me percorriam todas as células que se encontravam vivas, aquelas que me fazem sentir o medo, este medo, este enorme bicho que sim, este sim, existe e está bem vivo dentro de mim! e me consome... a cada dia... a cada hora...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Localizada

Sempre sobrevivi.
Nunca estive em perigo durante muito tempo. Também nunca corri tanto perigo durante tanto tempo...Mas não há-de ser desta que será algo realmente grave.
Relaxa, acredita.
Jovem e saudável, é assim que é suposto ser, assim o terá de ser...
Seja o que for, aprendi a lição. Seja o que for, aguardo com medo, o medo de sempre.

Aguardemos então...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

sábado, 12 de novembro de 2011

Existida

Porque há momentos em que este total esgotamento mental me deixa para lá do branco, me faz gritar mais alto do que alguma vez gritei, numa última esperança de que oiçam dizer este nada! Mais alto do que alguma vez nunca conseguirei gritar, porque não tenho voz, porque sim conseguiram tirá-la, porque sim falta aqui dentro tanto ou algo tão importante!... bem mais do que só eu, apenas eu, e a minha voz... que ninguém ouve. Bem mais do que apenas uma voz... falta esse algo, falta a segunda, aquela que nos sucede e completa, dando sentido e fazendo-nos acreditar quando o mundo nos tira esta existência, ou o seu valor, ou nos faz apenas sentir como tal! Ahhh... que raiva de não ter percebido tudo quando ainda existia e me sentia existida.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nome


Primeiro tem de ganhar um nome dentro de si mesma, para si, e só depois lá fora, para o mundo.
Como quer que os outros confiem em si, se você própria não o faz?


Nunca nada fará sentido ou acontecerá sem a primeira parte, a sua,
aquela que é minha.