domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fuga de luz

Tudo tem um fim. E neste fim acordo sempre de manhã na minha cama, com o primeiro raio de sol, aquele que entra pela janela todos os dias, à mesma hora, porque a cortina ficou mal fechada...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Formas temporais


Antes de ontem tudo existia e os meus olhos fechavam-se de tanto sonhar!... Ontem, fui obrigada a abrir os olhos e acabei sozinha... Queria fugir para longe e esquecer que tudo existiu, que o mundo existia. Hoje... Hoje também. Hoje é sempre igual a ontem. O Amanhã é que continuará a ser uma verdadeira incógnita, e o depois de amanhã... bem, esse simplesmente não existe.

Continuo a não saber em qual delas me encaixo...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Grito


A voz grita mas não pode gritar, então Se não sabes ler, pelo menos ouve este doloroso silêncio e entende!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Asma

Não existem medicamentos que curem a asma, na verdade a asma cura-se apenas por si própria ao seu ritmo... Mas existem medicamentos que nos ajudam a controlá-la, que nos ensinam a combatê-la!... e é isso que eu quero de si, é isso que eu quero.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Recompensação

A vida não é feita de recompensas, indeed...
Como quando tínhamos de decorar a tabuada e recebíamos um rebuçado, ou adivinhávamos uma resposta e ganhávamos um chocolate... Por mais bons que possamos provar que somos, por mais esforço e suor gasto, nem sempre cortamos a meta em primeiro lugar e recebemos aquele troféu. Há que saber contentarmo-nos com o facto de a termos alcançado, ao nosso ritmo, e saber que fizemos o melhor que podíamos. Para a próxima será melhor... recompensação? que palavra mais ordinária e única que haviam de inventar, pertence sempre apenas a um ou a ninguém.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Atacadores

Estava a chover, e eu estava na paragem a atar o sapato. A verdade é que a minha vida não tem ponta por onde se lhe pegue, e não há nó de atacador nenhum que consiga atá-la ou desatá-la, molham-se e pisam-se todos os dias com a chuva, e ficam sujos de lama...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Voltar para casa


Por mais confiança que tenhamos quando fugimos, quando agimos precipitadamente, acabamos sempre no fim por voltar para casa, por ligar àquela pessoa, por voltarmos para trás e voltarmos a seguir o nosso caminho.
já nem os olhos sabem falar a quem os sabe ler... eu quero ajuda, eu preciso de ajuda e se a tiver de pedir ao imenso céu estranho que cai sobre mim e estes caminhos perdidos que escolhi percorrer enquanto fugia... então que pelo menos as estrelas me oiçam e inventem uma terapia sem fala, um caminho ou um atalho para casa de novo, se assim puder ser... que volte para casa, para o meu quarto, para dentro de mim... onde não estou, à demasiado tempo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tudo será melhor

Sabem a sensação de acordar de manhã e ter a cara esborratada de olheiras? Pior que isso, tentar olhar olhos nos olhos e não haver imensidão, brilho... apenas um opaco vazio... uma palidez encrostada.... Aguenta, é só mais uma noite... Tudo será melhor que isto, tudo será melhor do que acordar de manhã e sentir o eco de um profundo vazio que nos esmaga a pouco e pouco aquilo que somos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Para todo o meu sempre

Os dias passam devagar, as horas e os segundos enrolam-se lentamente... Mas passam em grandes quantidades, e já la vai mais um mês... Parece injusto.
Vi-te. Não com os olhos de quem vê, mas de quem sente, como sempre fizemos... É incrível como tudo parece poder fazer todo o sentido e tento agarrar todo esse sonho enquanto dura, mas como tudo aquilo que está ou parece estar vivo, acaba. Acabou e fui apanhar o barco mais uma vez, para regressar... com a consciência daquilo que é a minha realidade... acordei, como todos os dias acordamos. Quero tanto continuar a dormir... vá pega no sonho outra vez! concentra-te... se vou ter sempre de acordar, então quero dormir para sempre! para todo o meu sempre! até que chegue o nosso... sabe-se lá quando, ou onde...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Porquê agora?


O telefone tocou.
Lágrimas de choro ecoaram na casa praticamente vazia.
Um aperto e um nó na garganta esmagaram-me com força…
A música do nada surgiu, e lágrimas molharam-me o rosto.
A minha cabeça caiu como desamparada e todo o meu mundo parou...
“O quê?” – disse eu.
“Quando?” – em tom mais baixo… e a minha mãe respondeu: “Agora… o avô estava lá”… Correu para a cozinha e ouvi uma porta bater.

Mas... Porquê agora?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Acentuação

Soubemos pôr todos os pontos finais que precisávamos e tínhamos de pôr... Mas esquecemo-nos das palavras que os antecedem, as frases agudas, graves e esdrúxulas que explicavam todos os pontos de interrogação, todas as reticências sussurradas de boca em boca... Nunca foram pontos finais, mas sim vírgulas à espera de mais sussuros que dormem com o sono....

domingo, 16 de janeiro de 2011

No dia em que me esvaziei


No dia em que me esvaziei, abri espaço dentro de mim, dentro do que é Meu.

Deitei fora tudo o que tinha de deitar! Rasguei em pedaços aquelas míseras partículas de tudo o que haveríamos construído até ali. Demoli as construções desses tempos de antigamente e desmontei todas as prateleiras dos móveis velhos, para ser mais fácil deitá-los fora... Libertei-me! Para que depois pudesse encher tudo de novo, com novos edifícios bem esboçados, novos atalhos e percursos encurvados, ruas modernas e pracetas de encontros perfeitos!... Novas folhas de papel prendidas com pioneses ao tecto onde tanto costumo sonhar, ou telas perfuradas com tinta, espalhadas pelas paredes caiadas do novo branco…Coisas boas... e más. Acreditei que sim!

Esvaziei-me então.

Só que... Afinal Nada depois entrou. Já lá vão horas, dias, semanas, meses e contínuo vazia como no dia em que me esvaziei de mim, e me libertei de toda aquela dor, a dor que deveras sinto! Aquelas resmas de lágrimas que continuam na lista de ficheiros recuperáveis da memória...

Matei-te, e morri de mim mesma.

No dia em que me esvaziei, de mim e de ti... de nós, eu estava viva e ninguém estava morto...

Mas... Então para quê?



http://www.youtube.com/watch?v=NAqMFjziMZ8

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O inaceitável

Tudo o que é verdadeiro, o que mais amamos nunca acaba. Apenas segue-se-lhe um novo começo... porque nunca seremos capazes de pôr fim ao que sem dúvida partiu, acabou e... deixou de ser nosso aqui, neste mundo. Nunca aceitaremos o inaceitável.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mundo mais pequeno que eu


Antes o mundo era tão grande, Porque eu e tu cabíamos lá dentro e ele era nosso! e nadávamos livremente pelo vazio cheio do tudo! passávamos de mãos atadas por cima das nuvens, escalávamos cordilheiras de montanhas altas carregadas dos mais belos sonhos!...
Hoje o mundo é pequeno. Já nem eu caibo lá dentro... já não é teu, nem meu... nem nosso. Nunca o foi.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Canto superior esquerdo


Espalhou-se pelo corpo... Está comprovado pelos médicos que se espalha rapidamente, doloroso e de lenta recuperação, sem previsão possível, tudo depende do sistema imunitário de cada pessoa. Dissolveu-se por cada bocado de mim, e o seu núcleo é o coração... este concentrado de vida localizado no canto superior esquerdo do nosso corpo. Engraçado, o lado mais fraco e menos treinado do corpo suporta aquilo que suporta tudo, Tudo! E mesmo assim, cedeu-lhe. Cedeste-lhe sem qualquer resistência! palpitaste durante demasiado tempo e quando te deixei saltar para dentro do coração dele e ele para dentro de ti!... reparámos os dois que nunca tinhas saído de dentro do meu peito... porque não te deixaram entrar. A forma como te agarraste a ele é mais forte que qualquer passado que se agarrou a nós, a qualquer presente que queiramos agarrar, e a qualquer futuro que NÓS venhamos a querer agarrar! Afinal sempre houve um nós... eu e aquilo que vê tanto como os meus dois olhos, o órgão que dizem suportar tudo, o coração, o Meu Coração.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Egoistas

Como havemos de combater a nossa própria dor? Pensando na dor dos outros, que é pior que a nossa? Que seres tão egoístas...

Embrulho


Laços frios, Laços sensíveis...
O frio reforça as fitas do tempo, mas já vão sendo demasiadas... Já não existem dias de sol ou chuva, apenas dias de frio... este frio que cobre todo o nosso Presente de aniversário... As mãos geladas miram-se à distância dentro da caixa mas já não sabem ser companheiras, e esqueceram-se do que é sentir calor, o que é serem desembrulhadas e desejadas com ardor e emoção!... Nada do que era, hoje sou para ti! As maquilhagens, a roupa e os acessórios já não te fascinam, o brinquedo está velho e estragado e já nem para brincar serve... trapos de tempos que já não se podem embrulhar, deitam-se fora! Braços desfeitos, rasgados e dobrados em várias partes que já não sabem abraçar, já não querem abraçar! Ai... Como sinto a falta deles... como sinto a falta de me embrulhar dentro de ti, dos teus dedos que me rasgavam durante horas, de seres quente e envolvente!... o embrulho perfeito, a minha prenda de aniversário, de quando Eu não faço anos!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011


-Ficas comigo?
-Hoje e sempre.

O que será realmente ficar? O que significa, o que implica, como sei se ficaste comigo? Não sei, e o que sinto não é credível, porque nada relacionado a ti é credível, nunca se sabe ao certo se o que vejo é a realidade ou fruto da alucinação. Nunca sei o que tu alucinas...